Processo 0865823-69.2023.8.12.0001

TJMS • Cumprimento de Sentença de Ações Coletivas

Tribunal
Número CNJ
0865823-69.2023.8.12.0001
Classe
Cumprimento de Sentença de Ações Coletivas
Órgão Julgador
Vara de Cumprimento de Sentenças de Contencioso Coletivo
Última publicação
13/05/2026
Partes
1

Partes do processo (1)

A fonte pública (DJEN/CNJ) não distingue o polo destas partes nesta publicação.

Última movimentação

Vistos, etc. Trata-se de liquidação de sentença proposta por Nadir Fernandes em face do Município de Campo Grande/MS. A parte liquidante concordou com o cálculo apresentado pela liquidada em sua impugnação. Também, pediu para que fossem arbitrados honorários sucumbenciais referentes à fase de conhecimento da ação coletiva da qual originou o título executivo judicial objeto deste cumprimento. Decide-se. Tendo em vista a concordância da parte liquidante com os cálculos e valores indicados pela parte liquidada, mister sua homologação. No que diz respeitos aos honorários, inicialmente, destaca-se que há dois tipos de honorários advocatícios sucumbenciais: aqueles devidos em razão da sucumbência na fase cognitiva do processo e aqueles decorrentes da necessidade de instauração da fase de cumprimento de sentença. Quanto ao arbitramento, na fase de cumprimento de sentença, dos honorários sucumbenciais referentes à fase de conhecimento da ação coletiva, adotando-se como base de cálculo o valor individualizado devido a cada um dos credores, o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela sua impossibilidade, fixando a seguinte tese de Repercussão Geral: Os honorários advocatícios constituem crédito único e indivisível, de modo que o fracionamento da execução de honorários advocatícios sucumbenciais fixados em ação coletiva contra a Fazenda Pública, proporcionalmente às execuções individuais de cada beneficiário, viola o § 8º do artigo 100 da Constituição Federal (Tema nº. 1.142, Recurso Paradigma: RE nº. 1309081/MA. Data: 07/05/2021). Os fundamentos utilizados para a fixação da tese acima transcrita se aplicam ao caso ora em apreço. O percentual dos honorários advocatícios arbitrados pelo título executivo coletivo deve incidir não sobre o valor de cada crédito individual assegurado aos substituídos pelo autor da ação coletiva, mas sim sobre o valor do crédito global alcançado pela condenação coletiva. Assim, sem prejuízo do manejo dos cumprimentos de sentença individuais por aqueles que foram substituídos na fase cognitiva pelo autor da ação coletiva, o arbitramento dos honorários sucumbenciais referentes à fase de conhecimento deverá ser feito após a liquidação de todas as execuções individuais, ocasião em que será possível aferir o valor global relativo ao proveito econômico obtido na fase cognitiva, com base no qual serão calculados os honorários. Ademais, diante da regra contida no artigo 85, § 3º, do CPC, que fixa limites para o valor dos honorários sucumbenciais nas ações em que a Fazenda Pública seja parte, constata-se que a fixação de tais honorários no bojo do cumprimento individual de sentença configuraria verdadeira burla às faixas de porcentagens de fixação dos honorários sucumbenciais definidas no referido dispositivo legal. Por fim, caso fosse possível a fixação dos honorários advocatícios de sucumbência relativos à fase de conhecimento no âmbito de cada um dos cumprimentos individuais deflagrados pelos substituídos, essa circunstância poderia caracterizar "bis in idem" em prejuízo da parte executada, e sobretudo, desconsideração dos limites legalmente estabelecidos pelo mencionado artigo 85, § 3º, do CPC. Destarte, não é possível o arbitramento em sede de cumprimento individual de sentença dos honorários sucumbenciais fixados na fase cognitiva do processo coletivo. Importa mencionar que os honorários advocatícios fixados na fase de conhecimento não se confundem com aqueles fixados em decorrência do manejo do cumprimento…

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