Processo 1061624-76.2025.8.11.0001

TJMT • Recurso Inominado Cível

Tribunal
Número CNJ
1061624-76.2025.8.11.0001
Classe
Recurso Inominado Cível
Órgão Julgador
Terceira Turma Recursal
Última publicação
20/05/2026
Partes
2

Polo Ativo

Polo Passivo

Última movimentação

ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GABINETE 3. TERCEIRA TURMA JUIZ ARISTEU DIAS BATISTA VILELLA GABINETE 3. TERCEIRA TURMA RECURSO INOMINADO Nº 1061624-76.2025.8.11.0001 ORIGEM: NÚCLEO DE JUSTIÇA DIGITAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS RECORRENTE: KETLYN CRISTINY CARAFFINI RECORRIDO: NU FINANCEIRA S.A. - SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO JUIZ RELATOR: ARISTEU DIAS BATISTA VILELLA Ementa: DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. NEGATIVAÇÃO. CONTRATAÇÃO ELETRÔNICA COM BIOMETRIA FACIAL. RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDA. PAGAMENTO PARCIAL. TELAS SISTÊMICAS CORROBORADAS POR OUTROS ELEMENTOS PROBATÓRIOS. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME Recurso inominado interposto por consumidora contra sentença que julgou improcedentes os pedidos de declaração de inexistência de débito e de indenização por danos morais decorrentes de inscrição em cadastro restritivo, além de condená-la por litigância de má-fé. A recorrente sustenta a insuficiência das provas da contratação por se tratarem de documentos unilaterais e requer o afastamento da penalidade processual. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há duas questões em discussão: (i) definir se os documentos eletrônicos apresentados pela instituição financeira são suficientes para comprovar a existência da relação jurídica e a legitimidade do débito que originou a negativação; e (ii) estabelecer se a conduta da autora, ao negar dívida oriunda de renegociação parcialmente adimplida, configura litigância de má-fé. III. RAZÕES DE DECIDIR A instituição financeira se desincumbe do ônus probatório previsto no art. 373, II, do CPC ao apresentar documentação que demonstra contratação eletrônica mediante biometria facial, conferindo segurança à operação. Os espelhos de faturas e o histórico de utilização evidenciam que o débito negativado decorre de renegociação da dívida original, parcelada em duas prestações, tendo a autora quitado apenas a primeira parcela. As telas sistêmicas constituem meio de prova válido quando corroboradas por outros elementos probatórios, conforme a Súmula nº 34 da Turma Recursal Única/MT, especialmente diante da existência de biometria facial e pagamento parcial realizado pela própria consumidora. A comprovação da origem da dívida e do inadimplemento legitima a inscrição do nome da devedora em cadastros restritivos, caracterizando exercício regular de direito, nos termos do art. 188, I, do Código Civil. A inexistência de ato ilícito afasta os pedidos de declaração de inexistência de débito e de indenização por danos morais. A conduta da autora, ao negar reiteradamente relação contratual comprovada por robusto acervo documental e por pagamento parcial da renegociação, caracteriza alteração da verdade dos fatos e resistência injustificada ao andamento do processo, enquadrando-se nos incisos II e IV do art. 80 do CPC. A manutenção da condenação ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios decorre do reconhecimento da litigância de má-fé, nos termos do art. 55 da Lei nº 9.099/95. IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso desprovido. Tese de julgamento: 1. A contratação eletrônica comprovada por biometria facial, associada a telas sistêmicas, faturas e histórico de pagamento, constitui prova suficiente da relação jurídica e da legitimidade do débito. 2. O pagamento parcial de renegociação realizada pela…

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