Processo 5003955-35.2025.8.21.0157

TJRS • Procedimento Comum Cível

Tribunal
Número CNJ
5003955-35.2025.8.21.0157
Classe
Procedimento Comum Cível
Órgão Julgador
2ª Vara Judicial da Comarca de Parobé
Última publicação
03/07/2026
Partes
2

Polo Ativo

Polo Passivo

Última movimentação

PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL Nº 5003955-35.2025.8.21.0157/RS AUTOR : MARIA CLARICE CAVALHEIRO ADVOGADO(A) : CAMILA COSTA DUARTE (OAB RS092737) RÉU : BANCO C6 CONSIGNADO S.A. ADVOGADO(A) : ENY ANGE SOLEDADE BITTENCOURT DE ARAUJO (OAB BA029442) ADVOGADO(A) : EDUARDO CHALFIN (OAB RJ053588) DESPACHO/DECISÃO Vistos. Trata-se de  ação declaratória de inexistência de débito, cumulada com repetição de indébito e indenização por danos morais  proposta por  MARIA CLARICE CAVALHEIRO  em face de  BANCO C6 CONSIGNADO S.A. . Narrou a autora, em síntese, terem sido atribuídos, diretamente em seu benefício previdenciário, descontos mensais oriundos da contratação de empréstimo consignado junto ao banco réu. Sustentou que jamais solicitou a contratação do referido empréstimo, sendo inexistente a relação jurídica entre as partes. Postulou, liminarmente, a suspensão dos referidos descontos, sob pena de multa. Juntou documentos. Requereu a gratuidade judiciária. Deferido o benefício da gratuidade judiciária e concedida a tutela provisória de urgência para o fim de determinar a suspensão dos descontos realizados no benefício previdenciário da demandante ( 4.1 ). Citada, a instituição financeira ré apresentou contestação ( 11.1 ). Em síntese, alegou que o contrato discutido trata-se de refinanciamento realizado pela autora em 08/10/2024, mediante emissão da Cédula de Crédito Bancário n.º XXX.XXX.XXX-XX, vinculada ao INSS, no valor total de R$ 4.199,98, sendo R$ 4.130,43 destinados à quitação do contrato anterior n.º XXX.XXX.XXX-XX e R$ 67,41 liberados como "troco" em conta corrente da autora. Sustentou que a contratação ocorreu de forma digital, com desbloqueio prévio do benefício no portal "Meu INSS", autenticação via conta Gov.br, biometria facial e geolocalização compatível com o endereço da autora. Argumentou que o crédito foi efetivamente depositado na conta da autora, vinculada ao benefício previdenciário, o que comprovaria a anuência e utilização do valor. Ressaltou que a autora não juntou extratos bancários para demonstrar ausência de depósito e não buscou solução administrativa junto ao banco ou órgãos de defesa do consumidor. Impugnou o pedido de tutela de urgência por ausência dos requisitos do art. 300 do CPC, sugerindo que eventual suspensão fosse determinada diretamente ao INSS. Aduziu ainda a existência de múltiplas ações ajuizadas pela mesma advogada, com petições iniciais idênticas, o que configuraria advocacia predatória e abuso do direito de ação. Discorreu acerca da ligitância de má-fé. Arguiu, ainda, a inépcia da inicial, sob o argumento de que a requerente postulou a revisão contratual ao mesmo tempo em que pleiteou a declaração de nulidade do contrato. Postulou, ao final, a improcedência da demanda. Juntou documentos. A requerente apresentou réplica ( 18.1 ). Vieram os autos conclusos. É o relatório . DECIDO . Passo ao exame das preliminares suscitadas pela parte demandada. DA ADVOCACIA PREDATÓRIA : Sem maiores delongas, tenho por desacolher a preliminar aventada pela ré, pois o ajuizamento de diversas ações revisionais não configura, por si só, abuso do direito de demandar ou até mesmo a prática de advocacia predatória. Nesse sentido: APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO  REVISIONAL . EMPRÉSTIMOS PESSOAIS. AJUIZAMENTO DE DIVERSAS AÇÕES REVISIONAIS ENVOLVENDO AS MESMAS PARTES, APENAS COM CONTRATOS DIFERENTES, NÃO CONFIGURA, POR SI SÓ,  ABUSO  DO  DIREITO   DEMANDAR  OU MESMO PRÁTICA DE  ADVOCACIA   PREDATÓRIA…

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