Processo 5013251-78.2025.8.21.2001

TJRS • Apelação Cível

Tribunal
Número CNJ
5013251-78.2025.8.21.2001
Classe
Apelação Cível
Órgão Julgador
Secretaria da 6ª Câmara Cível
Última publicação
11/08/2026
Partes
2

Polo Ativo

Polo Passivo

Última movimentação

Apelação Cível Nº 5013251-78.2025.8.21.2001/RS TIPO DE AÇÃO: Indenização por Dano Moral RELATORA : Desembargadora ELIZIANA DA SILVEIRA PEREZ APELANTE : ROMUALDO DA SILVA MEDEIROS (AUTOR) ADVOGADO(A) : LISANDRO GULARTE MORAES (OAB RS043547) ADVOGADO(A) : CICERO DORIA VERAS CANABARRO (OAB RS089070) ADVOGADO(A) : JULIANA GULARTE MORAES (OAB RS060296) APELADO : BOA VISTA SERVICOS S.A. (RÉU) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS. EXTINÇÃO POR LITISPENDÊNCIA. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. RECURSO PROVIDO. I. CASO EM EXAME: 1. Apelação cível interposta contra sentença que extinguiu o processo sem resolução de mérito por litispendência, indeferiu o benefício da gratuidade da justiça e condenou o autor por litigância de má-fé, com aplicação de multa de 5% sobre o valor da causa, com fundamento nos incisos II e V do art. 80 do CPC. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO: 1. Há duas questões em discussão: (i) se o indeferimento da gratuidade da justiça, fundado na conduta processual do autor, é compatível com os requisitos legais do benefício; (ii) se o ajuizamento de nova demanda, após a obtenção de provas supervenientes, configura litigância de má-fé. III. RAZÕES DE DECIDIR: 1. O direito à gratuidade da justiça tem natureza exclusivamente econômica: o art. 98 do CPC condiciona o benefício à insuficiência de recursos para arcar com as despesas processuais, sem qualquer relação com o comportamento processual da parte. 2. O art. 99, §3º, do CPC estabelece presunção relativa de veracidade da declaração de hipossuficiência formulada por pessoa natural, afastável apenas por elementos concretos e objetivos que indiquem capacidade financeira incompatível com o benefício. 3. Os documentos acostados aos autos demonstram que o autor é aposentado por idade, com renda líquida inferior a um salário mínimo após descontos de consignações, o que preenche o pressuposto do art. 98 do CPC e justifica a concessão da gratuidade desde o ajuizamento. 4. A litigância de má-fé pressupõe análise individualizada da conduta verificada nos autos e demonstração concreta de dolo processual; a extinção por litispendência, por si só, não a configura, especialmente quando o autor apresenta justificativa juridicamente plausível para o ajuizamento da nova demanda — a obtenção de provas supervenientes que não podiam ser inseridas na ação já contestada, por força do art. 329 do CPC. 5. O padrão de conduta atribuído ao escritório de advocacia em outros processos não pode fundamentar condenação por má-fé neste feito, pois a responsabilidade processual é aferida de forma individualizada em cada processo. IV. DISPOSITIVO: 1. Recurso provido. ___________ Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, arts. 80, incs. II e V; 98; 99, §§2º, 3º e 4º; 329; 485, inc. V. Jurisprudência relevante citada: TJRS, Apelação Cível nº 50292767520138210001, Quinta Câmara Cível, Rel. Niwton Carpes da Silva, j. 25.02.2026. DECISÃO MONOCRÁTICA 1) Relatório Cuida-se de Recurso de Apelação interposto pela parte autora,  ROMUALDO DA SILVA MEDEIROS , contra sentença que julgou extinta a ação ajuizada em face de BOA VISTA SERVICOS S.A. Segue transcrição da sentença recorrida: No evento 12, ocasião em que a parte autora foi alertada sobre a ocorrência da litispendência, foi consignado que “ não havendo uma explicação plausível para o ajuizamento desnecessário desta demanda, a autora será considerada litigante de má-fé e não será concedido o benefício…

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